Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Penalty's (versão relatório sobre combustíveis)

 

Como cidadão procuro estar bem informado. Assim, li o tão outrora proclamado e aguardado (hoje tão distante e esquecido, porque convém!) “Relatório da Autoridade da Concorrência sobre o Mercado dos Combustíveis em Portugal”.

 

Como gosto de ter opinião sobre as questões fulcrais do país, aqui vão as minhas considerações sobre alguns dos conteúdos importantes do referido relatório

 

1. A GALP tem o monopólio da refinação em Portugal.

 

1º Comentário: Faz sentido deixar funcionar o mercado livremente em áreas onde ele não existe efectivamente? Não, não faz, por isso controlar lucros através dos impostos sobre petrolíferas em Portugal é uma medida que parece óbvia e acertada (através de legislação específica e feita por peritos para ser bem feita e não cairmos no exagero).

 

2. A logística e fornecimento dos combustíveis em Portugal são partilhados estruturalmente pelas petrolíferas que dominam a distribuição.

 

2º Comentário: Mais uma razão para reforçar a oportunidade do primeiro comentário, criando um imposto que sirva realmente para compensar os consumidores de “combustíveis” e não para pagar mais ordenados e prémios de chupistas na função pública (veja-se os gastos irregulares das forças de segurança que segundo notícias deste mês ultrapassou os 8 milhões de contos).

 

3. O aumento abrupto do preço dos combustíveis é reconhecidamente, na sua maioria, atribuído aos aumentos da procura.

 

3º Comentário: A esquerda política fala só em especulação. Fogem ao simples facto que a especulação só existe porque especuladores sabem muito bem que com a actual realidade do paradigma energético, o recurso se tornou criticamente escasso para as necessidades actuais e futuras. Ser sério é admitir que quem cria necessidades deste tipo não são especuladores mas sim pessoas normais que também sonham andar de carro na China, logo, haveria sempre alguém a aproveitar-se da lei da oferta e da procura.

 

4. O governo de Sócrates apresentou um plano de estabilidade e crescimento (PEC) 2007-2111 baseado num preço médio de barril de $80,8 USD para o ano 2008.

 

4º Comentário: No governo pessoas sérias não existem certamente! Ou então não observam o mundo. Ainda estava eu na Califórnia, em Novembro de 2007, quando o barril de crude já roçava os $100 USD. Verdadeiros especialistas, à altura, diziam qualquer coisa como isto; ” Os americanos podem preparar-se, petróleo a 100 $USD/barril é uma questão de pouco tempo (semanas), o mercado está a ser testado, e certamente, essa barreira vai ser ultrapassada". Sócrates não tinha a obrigação de adivinhar que o barril iria chegar a $140 USD, mas tinha toda a obrigação de saber que o preço médio do barril para 2008 não iria ser o que estava a inscrever no PEC, mas sim, pelo menos $10 a $20 USD acima. E agora aposto que as contas do crescimento e estabilidade estão ainda mais erradas (do que elas já estavam à partida).

 

5. A Galp na qualidade refinadora está ao nível da Repsol em termos de preço venda do seu produto, i.e., antes de impostos.

 

5º Comentário: Uma boa razão para perceber que o “efeito almofada” da alta de preços nos combustíveis deve ser forçosamente iniciada pelo estado com a descida do IEC, só depois é moralmente correcto atacar as distorções de um mercado pouco competitivo. 

 

 6. O parágrafo 95 do relatório: "A análise da fiscalidade sobre os combustíveis líquidos na União Europeia, permite concluir que não é Portugal que tem uma fiscalidade muito diferente da média europeia, é a Espanha que tem uma fiscalidade bastante inferior."

 

6º Comentário: Não se percebe bem a ideia deste parágrafo, parece claramente política e de ajuda ao governo. Segundo o mesmo relatório Portugal tem, em média, a 4ª gasolina e 10º gasóleo mais caros da Europa. Estamos no grupo da frente nesta matéria -ao nível, por exemplo, de França, Dinamarca, Alemanha, Reino-Unido, Suécia e Itália-. É pena o relatório não cruzar este facto com indicadores de riqueza e bem-estar dos portugueses. Que tal cruzá-lo com o salário médio nacional? E depois comparar com os dos referidos países anteriormente! Talvez assim não escrevem-se disparates quase insultuosos como os do parágrafo 95.

 

7. Do preço médio actual da gasolina, 59,2% é o estado que arrecada, no gasóleo o valor é 47%.

 

7º Comentário: Deduções óbvias; O estado desde há muito financia-se na gasolina. Já não o pode fazer mais. O uso de gasolina/gasóleo já não é um privilégio mas sim um bem essencial e caro, ainda por cima tendo em conta a política de mobilidade seguida em Portugal durante a última década. Não há volta a dar, o governo tem, de vez, reduzir substancialmente a sua despesa (não em relação ao PIB, mas em termos absolutos) de forma a ajudar quando nós precisamos dele. E, nesta situação, pedia-se que eles fizessem de “almofada”, não conseguem, há muito glutão em redor da coisa pública e Sócrates não tem hipótese nenhuma de descer o IEC pois perderia as eleições.

 

Sub comentário: tem a mesma proporção de demagogia dizer que não se faz a OTA enquanto houver crianças com fome em Portugal (Durão Barroso), como aumentar o abono de família de forma a combater o flagelo da subida dos combustíveis e seu consequente efeito nas famílias (José Sócrates), especialmente quando o estado tem a lata de “roubar” legalmente 59,2% no preço do litro de gasolina. E já agora...então aqueles que não têm filhos? Como é?

 

8. A desvalorização do Dólar não foi suficiente para disfarçar o aumento de preços.

 

8ºComentário: Dá a sensação que a reserva federal norte-americana trabalha bem em termos de política cambial, e, neste momento, como desde há uns meses atrás, quem está a evitar a recessão nos E.U.A. são os europeus com o Euro forte. Concentramo-nos muito na inflação interna e desprezamos a competitividade europeia na economia mais consumista do mundo (e não só). Aliás, o controlo da inflação na zona Euro não está a ser conseguida, como tal, vale a pena repensar estratégias mais equilibradas….prometo, para entender melhor tecnicamente este facto, estudar muito de economia. Entretanto, se nada mudar nos objectivos primordiais (legalmente estipulados) do BCE, só quando o Ben Bernanke quiser é que em Portugal se vai viver melhor.    

 

 

sinto-me: um pensador de esquina
música: dia de são receber
publicado por Planeta Roxo às 23:57

link do post | comentar | favorito
psroxo@sapo.pt

pesquisar

 

posts recentes

Reflexões de observador a...

Notas Direitas- Projecçõe...

Agora só quando vale...e...

O Nº226034 está-lhe grato...

É muito melhor que as 'pa...

Só para avisar que se me ...

Onde está a equidade cons...

Precisamos de oportunidad...

O meu olhar sobre polícia...

Flash Liberal- Passos Coe...

Maio 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31

tags

todas as tags

arquivos

Maio 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

mais sobre mim

blogs SAPO