Domingo, 3 de Junho de 2007

Sport Lisboa e Benfica, Época 2006-2007

Sport Lisboa e Benfica, Época 2006-2007

 

“…analisar o passado pensar o futuro…”

 

Andebol uma modalidade em renascimento. O Benfica fez uma época ao mais alto nível neste seu regresso ao Andebol de “top” . Uma taça da Liga, uma final da taça de Portugal e o 4º lugar do campeonato. Nada mal para o primeiro ano a sério, agora sobem as expectativas! Com um treinador do melhor, falta aquele extra de experiência nos jogadores que perderam a taça de Portugal infantilmente. Sem cometer loucuras orçamentais, se comprarmos dois jogadores bons, com garra e razoavelmente experientes, estaremos a lutar para ganhar novamente em 2007/2008. E como não sou “expert” nesta modalidade fico-me por aqui…

 

Basquetebol. O que dizer do Basquetebol no meu clube! Mais um ano para esquecer! Final da taça da liga perdida frente ao Lusitânia. Eliminado nas meias-finais do campeonato pelo rival Porto em casa (3-4). Eliminado pelo Barreirense na 1ª ronda da final a 8 da taça de Portugal. Algumas dicas:

1- Não se pode rodar tantos estrangeiros durante a época por muito bons que sejam. Não se geram mecanismos de jogo nem química na equipa, ficando a mesma muito dependente da inspiração individual que varia de dia para dia, com a agravante de os adeptos não criarem ligações com jogadores que entram e saem, e que é tão necessária nos jogos em que as coisas não começam a correr bem.

2- Por favor apostem em miúdos novos da esfera Lusófona. No Benfica se é jovem, Português e fala Português ou Crioulo, parece significar partir em desvantagem. É preciso um equilíbrio, é necessário dar continuidade ao trabalho da formação feito em Portugal.

3- Por último, não sabendo se está instituído, deve-se pagar mais quando se ganha mais, i.e., impor ordenados a variar pelo número de vitórias e minutos jogados em cada mês.

Todo depende do dinheiro que se tem, mas julgo, que aqui está um exemplo em que se gastou muito dinheiro em troca de muito pouco.

 

Ciclismo regressou! Não temos a obrigação de ganhar a volta a Portugal, mas existem grandes hipóteses. Em termos de divulgação e desenvolvimento do clube ter ciclismo já é uma vitória, pois permite que haja Benfica numa altura do ano em que o desporto está tradicionalmente parado. Com uma solução em termos de auto financiamento encontrada, é óptimo ver a cor encarnada a passear na estrada.

 

Desilusão. Todos os Benfiquistas a sentiram ao sermos eliminados da taça UEFA nos Quartos de Final. Foi uma daquelas eliminatórias em que tudo aconteceu. Penalty escandaloso não marcado em Espanha a nosso favor, auto golo de Nelson (um jogador que apesar das qualidades inatas, sistematicamente toma as piores opções), golos falhados à frente da baliza (por um Nuno Gomes inteligente mas com uma época desfavorável e para esquecer), enfim, esta taça era para ganhar!!!

 

Empates, o consentido e o não conservado nos últimos minutos dos jogos de Paços de Ferreira e Porto, aniquilaram as nossas esperanças de ganhar o campeonato de futebol. Foram 3 pontos a voar em supostos momentos de máxima aplicação e concentração.

 

Fernando Santos é uma figura incontornável nesta época futebolística. Perdeu em toda a linha. Contudo, pode legitimamente alegar que as responsabilidades da derrota não são só dele… e é só por isso que não é despedido. É um homem sério, inteligente, honesto e até percebe de futebol, mas também é teimoso e desconfiado. Teimoso, porque andou uma época toda a jogar com o pior guarda-redes do plantel, desconfiado pois não deu hipóteses a jogadores que à partida poderiam ter jogado muito mais… Miguelito, Manú, Mantorras e até o Kikin Fonseca enviado à precedência cedo demais. Merece outra oportunidade dada a época atribulada em termos de lesões, castigos, vendas de jogadores e atrasos no calendário que teve que gerir com recursos limitados.

 

Goleador precisa-se! Contudo é preciso que se jogue para ele… bons cruzamentos, passes precisos, e não o que se viu esta época! Os médios pareciam avançados, só queriam marcar golos e era ver o Miccoli e Nuno Gomes a cansarem-se para quase nada.

 

Hermínio Loureiro eleito para presidente da liga. A guerra é total e cada benfiquista que se iludir vai pensar que os jogos só se ganham no campo, no entanto, só se ganham no campo quando o Benfica tiver tanta influência nos órgãos de cúpula do futebol, como têm os outros grandes clubes do país. Filipe Viera iludiu-se com um título de campeão e não meteu homens do Benfica na nova direcção da liga…cuidado com o nortenho dos discursos redondos e que é anti benfiquista primário. Nos media só “lagartos”, no poder “lagartos e tripeiros facciosos”… os inimigos são mais que muitos… por isso é preciso não ter medo de ser guerreiro.

Invencíveis à 21 jogos de campeonato. Seguramente das poucas boas coisas que ficaram da temporada futebolística. Há muito não se via! Parece denotar um renascer do clube que quase caiu com Vale a Azevedo… sim é preciso não esquecer o estado do nosso clube à 5 ou 6 anos atrás.

 

José Veiga, goste-se ou não, é um líder, e o Benfica precisa de líderes. Ao demitir-se a meio da época não só se dignificou como profissional, mas também honrou o emblema que serviu. Defendeu o Benfica com alguns benfiquistas nunca o defenderam. A sua ausência fez-se sentir, pois o plantel e treinador tiveram que falar/exporem-se muitas vezes.

 

Lesões! Ora aqui está uma das razões do fracasso! Foram muitas! Algumas com contornos pouco abonatórios para o departamento médico e tudo o que tem haver com ele dentro do clube. Três lesões fulcrais, Rui costa 4 meses, Luisão 3 meses, e Miccoli 2 meses. Este é um aspecto a reverter rapidamente, para isso, é preciso saber rodar jogadores quando é preciso, obrigá-los a treinar sempre a ritmos certos e dignos de profissional, trabalhar com os melhores médicos, fisioterapeutas e clínicas. O resto é um pouco de sorte que nesta matéria anda afastada do Benfica nas últimas épocas.

 

Money. Significa dinheiro, o muito dinheiro inglês que levou Ricardo Rocha, o mesmo que é preciso para equilibrar um clube que não pode fechar os olhos ao seu passivo. Logo, o mesmo dinheiro que paradoxalmente contribuiu para o jejum de títulos. Verdade seja dita, era muito difícil não vender o jogador, pois ele queria sair à muito tempo, mas quando for assim, espero que a direcção aprenda a lição… perante um preço claramente definido “despache-os” no início de época (tal como queria fazer com Simão e Manuel Fernandes), pois é mais fácil ir contratar um novo sem pressas e precipitações. Até poderiam ter vendido mais barato, se calhar o resto do dinheiro tinha vindo de receitas das vitórias que não se tiveram.

 

Nuno Assis, em 2005/2006 vítima de si próprio, em 2006/2007 um dano colateral da guerra sem cartel do Benfica contra o sistema. Esta batalha ganhou o sistema. Não se ganha sempre, mesmo que se tenha sempre razão e nestes casos (em todo o mundo) o benefício da dúvida vai sempre para o laboratório nem que se tenham enganado no “chichi” . É necessário medir bem as consequências dos ataques aos responsáveis pela “luta contra o doping” , mais sensato é o Benfica lutar pela igualdade de tratamento na elaboração do plano de amostragem e a partir desta época “fiscalizar” os processos de obtenção do mesmo, o tratamento de amostra, métodos de análise e respectivos resultados.

 

Oportunidades. Tirando as escassas aparições de João Coimbra (por volta dos 100 minutos foi o que jogou na época toda!), os jovens da formação do Benfica continuam a ver a equipa principal por um canudo. Continuo a dizer que a estratégia do adversário da segunda circular peca por excesso, nós pecamos por defeito. Deve sempre haver no plantel principal 2 a 3 jogadores vindo directamente ou indirectamente (depois de rodar 1 ano noutro clube) da formação. A taça da liga pode ser perfeita para dar o palco à juventude do clube… se não jogarem nunca vão aparecer. Caso contrário, despeçam treinadores, “scouts” , e responsáveis da formação pois não estão lá a fazer nada.

 

Passivo! É uma autêntica vergonha para o clube! Enquanto o passivo, quer seja de curto, médio, ou de longo prazo, não baixar para cerca de um terço, i.e., o passivo total passar para menos de 100 milhões de Euros, o Benfica nunca será um clube de referência em Portugal, nem em lado nenhum. Nos últimos anos temos assistido a algumas melhorias nesta matéria, porém o lançamento de novo empréstimo obrigacionista, um aumento forçado de ordenados para manter jogadores fulcrais, um estádio a pagar até pelo menos 2010… não devem deixar ninguém descansado. A pressão para ganhar títulos deve ser directamente proporcional à que se aplica na redução do passivo do clube, só assim se consegue o equilíbrio e dar passos atrás, fugindo de um abismo que com Vale e Azevedo esteve quase… Ao perder tudo em 2006/2007 Filipe Viera prometeu investimento (com o dinheiro do empréstimo obrigacionista), logo, ganhar muito é obrigatório, pelo menos para pagar os juros do referido empréstimo e ir buscar uns trocos para abater o nosso passivo…por isso o presidente já disse “pró ano tem que ser o ano do Benfica”. 

 

Qualificação para a Liga dos campeões! Mais uma vez à semelhança da época que finda, a que vai começar também se inicia com compromissos decisivos. Pelo menos 100/150 mil contos que entram de receita da pré eliminatória, mais a receita de participar na competição (que certamente está contemplada no orçamento 2007/2008), fazem dos primeiros jogos a sério de Agosto a fuga para o sucesso ou insucesso da estratégia financeira. Quanto à estratégia desportiva!!! Vamos ver, com Trapattoni fomos campeões e vimos os outros a jogar na liga milionária…tudo depende da força mental da equipa e treinador… mas se tudo correr pelo normal o Benfica vai estar entre os grandes da Europa outra vez e isso é bom para a moral de todos.     

 

Rui costa jogou 20 jogos este ano, espalhou classe! Para o ano que vem só precisa de ficar pelos 30, já chega para provavelmente ganhar algumas coisas. Fez bem voltar, deve começar a preparar-se para ser presidente ou director desportivo do clube, tem perfil só precisa de formação adequada.  

 

Sponsors precisam-se, nomeadamente para as modalidades amadoras. É estranho como as modalidades ditas amadoras têm tão poucos patrocinadores, pelo menos dos visíveis. O Basquetebol é um bom exemplo disso…comparado como os rivais, estamos a fazer pior. Não é justo pedir aos sócios tudo, pois as quotas do Benfica já são muito caras.

 

Taça de Portugal, ora aqui está mais um bom assunto para afrontar o sistema instalado no futebol Português. Porque não a direcção do Benfica propor alterações a toda a estrutura da prova? Eliminatórias a duas mãos, divisão de todas as receitas com diminuição da percentagem a reverter a favor da federação, parecem-me duas das ideias fáceis de defender. Havia mais jogos? Ainda bem! Mais oportunidades para os jogadores menos utilizados justificarem os ordenados e se manterem em competição. Com mais jogos imaginem quantos David’s Luís vamos encontrar?

 

Universo Benfica! Após vinte anos de estagnação o clube passa por uma nova etapa de crescimento, são inegáveis certos factos, tais como, um novo centro de estágio, um estádio atractivo, pavilhões, mais interactividade com os sócios e simpatizantes, mais expansão comercial e desportiva (vejam o miúdo chinês, não é inocente a garantia na pré época sénior de 2007/2008, se for bom então junta-se o útil ao agradável), mais digressões (já ninguém se lembra mas em Janeiro fomos ao Dubai ganhar um troféu, muito dinheiro, e prestígio), mais modalidades em competição e a ganhar troféus, enfim, um retomar da grandeza outrora perdida. A época que finda também para isso contribuiu.

 

Voleibol, em 3 anos um 1 campeonato nacional, e 3 taças de Portugal. Este é o espírito que deve reinar no clube… ganhador e lutador. Isto apesar de termos sistematicamente contra nós um presidente de federação que veste sempre a camisola do adversário. Dois anos seguidos problemas com o Vitória de Guimarães, somos claramente prejudicados em campo e depois ainda mais na secretaria. Aliás, tomo minhas as palavras de Miguel Maia (jogador do Sp. Espinho que ao ganhar o campeonato nacional em Guimarães disse mais ou menos isto”;

“(… acho o Vitória um grande clube, mas quem de direito tem algo a fazer para evitar os sistemáticos incidentes que aqui acontecem…)”. É verdade, mas à federação já se viu, não vai fazer nada.

 

Xistra. Lindo nome! Personifica um certo tipo de arbitragem que parecia em vias de ser banida com as reformas de Coroado, António Costa, e outros que tais. Mas não, existe o Olegário, o Xistra, o Duarte Gomes, o Lucílio Baptista, e o Paulo Costa. O Benfica precisa de ser muito forte e corajoso para vencer até estes adversários.

 

Zoro, a temporada acaba bem com uma contratação que à partida da garantias (pelos menos para as competições internas), 23 anos, 84 jogos nas últimas três épocas no Messina, internacional da Costa do Marfim, e pouco dado a lesões, o enquadramento parece quase perfeito, a não ser o problema das competições de selecções Africanas "roubarem" o jogador durante muito tempo.                     

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publicado por Planeta Roxo às 17:51

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