Vision 8- Dumb Vision
Na rotina nostálgica da grande Lisboa, desejando eu transformar a cidade e o país naquilo que não é, dou comigo a ler o semanário referência cá do burgo na esperança de encontrar alguém com pensamentos interessantes.
Até aqui nada de novo, como não há jornais equilibrados em Portugal, quase todos são escandalosamente anti "direita", tanto faria ler este semanário (que não vou dizer o nome) como outro jornal qualquer. Até neste aspecto, ser de direita em Portugal é difícil.
Mas, não perdendo o fio condutor do objectivo primeiro, centrei-me numa entrevista de Silva Lopes. Economista reputado, conhecido por ser da esquerda dita "moderada" (PS), e, por ter ocupado muitos cargos de relevância tanto no domínio público como privado.
Além dos vulgares insultos à direita estilo; "...É uma oposição pouco capaz. Terão razão nalgumas coisas, mas têm de estudar um bocadinho...", i.e., o velho chavão, és de direita então és burro e menos capaz (por "decreto"), Silva Lopes lança mais pérolas de uma profundidade idiota só ao alcançe de prodígios de esquerda.
Centrei-me em duas, demonstrativas que apesar de vivo e reformado, este senhor, para a contribuição cívica/política/económica (e somente para tal) já devia ter sido "arrumado" há muito... mais um dos velhos problemas da nação, a ideia da idade como um posto inatacável e credível para declamar todo o tipo de disparates.
1ª Pérola de Silva Lopes; A sua irritação com a CGD! Mas, qual é a novidade! O estado como dono de um banco só serve para "minar" a livre concorrência dos mercados, perpétuar situações prejudiciais aos consumidores e para lançar a confusão sobre qual as suas verdadeiras competências numa sociedade moderna (Exemplo: Querem os políticos um sistema de saúde livre e universal, ou do tipo "vendido" pela CGD, ou seja, um país de hospitais privados?).
Perante esta irritação, para quê mais regulação para o Banco de Portugal (BdP)? Como defende Silva Lopes esse incremento, se é o próprio estado-"player" (também através da CGD) que viola todas as boas práticas democráticas e empresariais, ajudando empresas corruptas, incompetentes e que favorecem o compadrio!...E não tentem misturar isto com a crise financeira mundial...não tem nada a ver.
Contudo, Silva Lopes, é incapaz de falar na privatização (calma, progressiva e parcial), prefere antes dizer (nas entrelinhas) que a CGD manda mais que o BdP. Mesmo que o senhor não o reconheça, parece encontrado o caminho, não é fácil, mas é o correcto. Privatizar a CGD logo que o "mundo financeiro" recuperar! Reforçar a sério os poderes de regulação do BdP, quebrando com a lógica do país dos amigos (partindo do princípio que os recursos humanos do BdP são bons, ética e moralmente inatacáveis. Mais outro colossal problema da nação!)
2ª Pérola de Silva Lopes; Perante o endividamento excessivo defende que os Portugueses sejam "obrigados" a poupar. Como? O referido iluminado diz; "...Seria a Segurança Social, ao que retira do ordenado para descontos sociais, acrescentava mais uma dedução obrigatória de poupança, posteriormente entregue à gestão estatal ou de privados...".
Depois de ler isto quem ficou furioso fui eu. Porquê? Várias razões;
1- A defesa desta medida é uma clara violação de direitos adquiridos e liberdades fundamentais. Era o que mais faltava...qualquer dia estava a pedir ao estado autorização para sair à noite e gastar 50 € num jantar. O conceito político-económico por de trás da putativa medida é fascista.
2- Mais uma vez é uma maneira ordinária de prepétuar os ricos e nunca promever quem vem do nada. Pois, o risco, o dinheiro, e consequentemente o poder estaria sempre nas mãos dos mesmos, i.e., políticos, bancos e as empresas do PSI-20. Agora pergunto, já não chega de "favores" para esta gente?
3- Promove a "estupidização" individual. Caminhariamos para o "pai-estado" que tudo comanda, tudo controla e tudo me desculpa, pois, não me dá iniciativa ou poder de decisão.
4- É o admitir do fracasso da nossa política educativa e económica. A económica, pois, foram sucessivos governos que estimularam (e estimulam) o consumo, anulando a mensagem sobre a necessidade de poupança. A educativa, pois, é estar a dizer que os portugueses são de tal forma burros e mal preparados que não sabem gerir a própria vida.
É o que dá achar normal tirar cursos por fax, e, ficar contente com a falta de exigência crescente no nosso sistema de ensino (mais um legado dos Socialistas que tanto gosta Silva Lopes).
Por isso, sugiro a todos os "velhos" economistas a voltarem à universidade e aproveitarem para sentirem o ritmo de vida do século XXI, incompatível com socialismos de outros tempos redutores da liberdade individual, até mesmo a liberdade de errar e pagar por isso.
Como tal, quando Silva Lopes estiver em NY, aconselho-o a visitar a zona que vai da Washington Square à Union Square, assim, poderá perceber que na vida moderna não se obriga ninguém a poupar ou a consumir, mas sim, ensina-se a pensar economicamente!
Foto- A fachada do Silver Center for Arts and Science. Um dos muitos edifícios do campus da NYU concentrado em redor da Washigton Square.
Porque aprender é viver melhor, a zona da Universidade de NY é literalmente a não perder... é tudo o que não existe em Portugal, com as suas dinâmicas universitárias deprimentes e vedadas ao exterior.